{"id":11,"date":"2014-12-14T23:14:18","date_gmt":"2014-12-14T23:14:18","guid":{"rendered":"http:\/\/quintadoalamo.org\/?page_id=11"},"modified":"2018-02-05T01:49:32","modified_gmt":"2018-02-05T00:49:32","slug":"historia","status":"publish","type":"page","link":"http:\/\/quintadoalamo.org\/?page_id=11","title":{"rendered":"Hist\u00f3ria da Quinta"},"content":{"rendered":"<p>N\u00e3o se conhece a origem da Quinta do \u00c1lamo \u2013 h\u00e1 quem diga que os terrenos pertenciam, originalmente, \u00e0 Quinta Grande e que, por meio de partilhas, destacaram-se alguns terrenos que hoje constituem a Quinta do \u00c1lamo.<\/p>\n<p>O registo mais antigo \u00e9 uma placa, em pedra calc\u00e1ria, afixada numa parede exterior da casa senhorial e que indica a data prov\u00e1vel da sua constru\u00e7\u00e3o. <a href=\"http:\/\/quintadoalamo.org\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/placa-parede-casa.png\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-165\" src=\"http:\/\/quintadoalamo.org\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/placa-parede-casa-246x300.png\" alt=\"placa parede casa\" width=\"246\" height=\"300\" srcset=\"http:\/\/quintadoalamo.org\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/placa-parede-casa-246x300.png 246w, http:\/\/quintadoalamo.org\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/placa-parede-casa.png 431w\" sizes=\"(max-width: 246px) 100vw, 246px\" \/><\/a>Nesta placa pode ler-se: \u00ab<em>Mandou fazer G. A. C. M. no anno de 1833<\/em>\u00bb . Um assento de batismo, realizado em 1 de fevereiro de 1836, de Matilde, &#8220;filha leg\u00edtima de Jos\u00e9 da Silva e de Felicia Maria moradores na quinta do Alamo desta freguesia [de Arrentela], foi Padrinho\u00a0Gaspar Angelo da Costa Madeira dono da mesma quinta (&#8230;)&#8221;, permitindo assim identificar o significado das iniciais inscritas na placa.<\/p>\n<p>No extremo superior do port\u00e3o principal de entrada na quinta, que d\u00e1 para a Avenida dos Metal\u00fargicos, pode ler-se \u00ab<em>1944<\/em>\u00bb, ano da constru\u00e7\u00e3o do muro.<\/p>\n<p>A Quinta do \u00c1lamo e a Quinta do Bom Pastor (esta anteriormente denominada \u201cQuintinha\u201d ou \u201cBaixinho\u201d) pertenceram \u00e0 fam\u00edlia d\u2019Orey, mais precisamente ao casal Guilherme (Willy) Perestrelo d\u2019Orey e Celeste Rodrigues de Oliveira d\u2019Orey.<\/p>\n<p>Existe documenta\u00e7\u00e3o dos anos 40 do s\u00e9culo XX, os quais incluem recibos, listas dos lucros, notas dos caseiros e correspond\u00eancia trocada entre os primos Willy e Z\u00e9, enquanto o primeiro estava no Brasil, para tratar dos neg\u00f3cios da fam\u00edlia &#8211; a antiga Companhia Comercial e Mar\u00edtima, Orey e Antunes, fundada pelo tio Jos\u00e9 Diogo de Albuquerque d\u2019Orey (irm\u00e3o de Frederico Guilherme de Albuquerque d\u2019Orey, pai de Willy).<\/p>\n<p>Nos anos da II Guerra Mundial os produtos consum\u00edveis tornaram-se demasiado caros e, por esta raz\u00e3o, o Governo recomendou que se trabalhasse e cultivasse a terra e, assim, se combatesse a fome. A Quinta do \u00c1lamo n\u00e3o ficou aqu\u00e9m, tendo refor\u00e7ado o pomar e plantado muitas \u00e1rvores de citrinos (em meados dos anos 40, s\u00e9culo XX), em solos pouco apropriados para tal. Na altura a laranja \u201cvalia ouro\u201d e apesar de n\u00e3o ser de grande qualidade, continuou a ser produzida na Quinta do \u00c1lamo. Hoje ainda existem muitos exemplares que sobreviveram e salpicam o antigo pomar.<\/p>\n<p>Para al\u00e9m da guerra, a revolu\u00e7\u00e3o industrial provocou uma altera\u00e7\u00e3o nas mentalidades das pessoas ativas \u2013 as pessoas preferiam trabalhar numa f\u00e1brica, onde tinham um hor\u00e1rio mais reduzido e pagamento certo, em vez de trabalharem numa quinta, em que o hor\u00e1rio era dependente do n\u00famero de horas de sol e o pagamento dependia muito do sucesso da produ\u00e7\u00e3o e da venda dos produtos. Na correspond\u00eancia consultada, Z\u00e9 de Mattos desabafa com o primo e culpa as f\u00e1bricas, pelo desleixo dos trabalhos e dos trabalhadores na quinta \u2013 as pessoas queriam hor\u00e1rios mais reduzidos e ordenados certos. Outras quintas no Seixal e nos arredores deixaram de funcionar porque n\u00e3o conseguiam m\u00e3o-de-obra para trabalhar os terrenos e tratar dos animais.<\/p>\n<p>Os neg\u00f3cios de Willy, no Brasil, tiveram pouco sucesso, bem como as tentativas de Z\u00e9 na gest\u00e3o e administra\u00e7\u00e3o da Quinta do \u00c1lamo. Este \u00faltimo queixava-se, principalmente, da falta de profissionalismo dos trabalhadores, da falta de apoio da pol\u00edcia em rela\u00e7\u00e3o aos roubos e da despesa que a quinta dava, pela necessidade de regar, reparar, comprar, pagar\u2026<\/p>\n<p>O Sr. Jos\u00e9 do Norte, foi o primeiro caseiro da Quinta do \u00c1lamo de que h\u00e1 registo, tendo sido despedido em Abril de 1942, com autoriza\u00e7\u00e3o de Willy. Juntamente com esta autoriza\u00e7\u00e3o, Willy aconselha o primo Z\u00e9 a abandonar o jardim e os pomares.<\/p>\n<p>Apesar das despesas, Z\u00e9 de Mattos procurava que a quinta n\u00e3o apresentasse um aspeto de \u201cpobreza\u201d. Por esta raz\u00e3o encontram-se registos que mandou plantar \u00ab<em>roseiras trepadeiras encarnadas<\/em>\u00bb, junto ao tanque e ao po\u00e7o, bem como buganv\u00edlias \u00ab<em>sobre os bancos de jardim<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p>Por testamento de Willy, a Quinta do \u00c1lamo (incluindo o Baixinho) seria doada ao Patriarcado de Lisboa, com a condi\u00e7\u00e3o de usufruto por parte de sua mulher at\u00e9 ao seu falecimento. Dadas as elevadas despesas de manuten\u00e7\u00e3o, Celeste d\u2019Orey, em 16 de mar\u00e7o de 1971, na altura vi\u00fava, sem descend\u00eancia e \u00fanica propriet\u00e1ria, faz a doa\u00e7\u00e3o plena ao Instituto de Forma\u00e7\u00e3o e Apostolado do Patriarcado de Lisboa. Em 1975, com a cria\u00e7\u00e3o da Diocese de Set\u00fabal, a Quinta passou para o seu patrim\u00f3nio, tendo \u201cherdado\u201d tamb\u00e9m o caseiro, o Sr. Augusto, que, conjuntamente com sua mulher, asseguravam a manuten\u00e7\u00e3o e a seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>Nessa altura vivia-se um clima de grande tens\u00e3o, marcado pelos primeiros tempos da democracia\u00a0p\u00f3s \u201c25 de Abril\u201d, pelo chamado \u201cver\u00e3o quente\u201d e por alguns epis\u00f3dios rocambolescos em que a Quinta foi envolvida. Com a reforma agr\u00e1ria, corria o risco de ser retirada \u00e0 diocese, chegando mesmo a ser alvo de acusa\u00e7\u00f5es de esconder armas \u201ccontra-revolucion\u00e1rias\u201d, tendo uma vistoria, por parte de militares do Movimento das For\u00e7as Armadas, acabado na adega com a prova dum bom vinho produzido pelo Sr. Augusto a partir da vinha existente no Baixinho.<\/p>\n<p>Integrada no territ\u00f3rio da par\u00f3quia de Arrentela, foi esta respons\u00e1vel pela sua gest\u00e3o durante v\u00e1rias d\u00e9cadas, tendo o seu p\u00e1roco, Pde. David Pinho Esteves, delegado essa tarefa ao Pde. Jos\u00e9 Augusto Pereira, do Seixal. Desde 1975 os jovens cat\u00f3licos das par\u00f3quias circundantes, grupos diocesanos e agrupamentos de escuteiros usaram a Quinta do \u00c1lamo como local de encontro, para retiros e acampamentos, contribuindo para uma quinta viva e a cria\u00e7\u00e3o de uma forte identidade e liga\u00e7\u00e3o de gera\u00e7\u00f5es. A missa dominical, ent\u00e3o celebrada no sal\u00e3o da casa senhorial, foi marcante para a popula\u00e7\u00e3o envolvente e para in\u00fameros crentes vindos de mais longe.<\/p>\n<p>Depois de v\u00e1rios modelos de gest\u00e3o mais ou menos conseguidos, \u00e9 gerida atualmente pelo seu propriet\u00e1rio, o\u00a0Semin\u00e1rio Diocesano de Set\u00fabal, atrav\u00e9s do Pde. Jos\u00e9 Manuel Teixeira de Abreu, ec\u00f3nomo da Diocese, contando ainda com a colabora\u00e7\u00e3o de diversas pessoas que, em maior ou menor grau, d\u00e3o parte do seu tempo e conhecimento para a conserva\u00e7\u00e3o, valoriza\u00e7\u00e3o e dinamiza\u00e7\u00e3o da Quinta do \u00c1lamo.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>(em 2015, adaptado de um texto da Arq. Maria In\u00eas Adag\u00f3i)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o se conhece a origem da Quinta do \u00c1lamo \u2013 h\u00e1 quem diga que os terrenos pertenciam, originalmente, \u00e0 Quinta Grande e que, por meio de partilhas, destacaram-se alguns terrenos que hoje constituem a Quinta do \u00c1lamo. 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